02/02/2010

Porquê El-Rei Junot de Raúl Brandão no contexto do Bicentenário da Guerra Peninsular?

Porquê este livro - "EL-REI JUNOT", de Raul Brandão (RB) - no contexto do Bicentenário da Guerra Peninsular?


Raul Brandão é um grande escritor da Língua Portuguesa. Em 1912 publicou este livro, que começara a escrever por ocasião do primeiro centenário das invasões francesas. Nele evoca uma das mais negras épocas históricas de Portugal e com uma forma de abordagem muito especial: não exalta o patriotismo face aos invasores, antes adopta uma perspectiva humanista em que vê a História como um palco onde os homens - todos os homens, sejam invasores sejam invadidos - se movem como títeres, vivendo na dor até ao destino inexorável da morte. "A história é dor, a verdadeira história é a dos gritos" - assim começa o livro.

Raul Brandão usa fontes históricas fidedignas e os dados que expõe não são inventados. Mas não está interessado em escrever um tratado de História, com o rigor do aparato usual nesse tipo de livros, com notas, bibliografia exaustiva, citações, etc. Mais do que escrever História, ele interpreta a História.

Maria de Fátima Marinho, especialista da obra de RB, diz-nos que ele tem uma visão metafísica da História, em que a vida e as opções humanas são encaradas como drama e tragédia.

Refere também que RB faz uma leitura simultaneamente interpretativa e factual dos acontecimentos históricos, em que parte do princípio que há duas Hstórias: uma oficial, registada; e outra escondida, subreptícia, que é talvez a mais importante.

Raul Brandão tenta descrever essa linha oculta dos acontecimentos, marcada pelas paixões humanas, pelos comportamentos ora dramáticos, ora grotescos dos seres humanos. O resultado é uma pintura impressionista de toda uma época - o início do séc XIX - vazada numa escrita colorida, visual, rigorosa e sugestiva. Não ficamos a saber muitos acontecimentos históricos, mas ficamos a perceber muito melhor a época em que eles ocorreram.

Joaquim Moedas Duarte

29/01/2010

Joaquim Moedas Duarte e Pedro Fiéis - Notas Biográficas

Joaquim Moedas Duarte nasceu em Alpiarça a 8 de Outubro de 1947. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Professor do Ensino Básico desde 1971. Presentemente aposentado. Coordenador da página literária Lugar Onde do jornal Badaladas desde 2002. Define-se como alguém que esteve ligado ao associativismo cultural e actualmente é presidente da Direcção da Associação para Divulgação e Defesa do Património de Torres Vedras.

Pedro Fiéis nasceu em Torres Vedras a 19 de Dezembro de 1974. Licenciado em História pela Universidade Lusíada de Lisboa.
Participou no estudo e reconstituição do Castro do Zambujal, em Torres Vedras. É professor do ensino básico e secundário desde 1998.

21/01/2010

Sobre El-Rei Junot pelo prof. Joaquim Moedas Duarte

Raul Brandão está um pouco esquecido mas podemos dizer que ele é um existencialista avant la lettre, isto é, olhou o passado e o presente com uma perspectiva desencantada mas de um enorme humanismo, de uma tocante compaixão para com a natureza humana, a braços com a morte de Deus e à procura de um outro Deus. A sua visão do mundo tem algo de profético e encaixa-se perfeitamente nas interrogações do homem contemporâneo...

A escolha deste livro, no contexto da evocação da Guerra Peninsular, visa, julgo eu, dar uma perspectiva de análise diferente e mais profunda do que a mera descrição hstórica em que tantas vezes caímos.

Sobre Raúl Brandão...




Para aceder a uma biografia completa sobre o autor do mês em destaque na Biblioteca (Sala de Adultos) e autor da obra escolhida para discussão na Comunidade de Leitores A Guerra Peninsular na Literatura, poderá fazê-lo aqui.

Imagem do Google Images

05/01/2010

A Guerra Peninsular na Literatura

27 de JANEIRO de 2010
(4ª feira)
21h00



Ao lermos El-Rei Junot tem-se a impressão de estar diante de uma água-forte sombria onde o dramático e o grotesco são notas dominantes. Uma obra que oscila entre a epopeia e a farsa trágica, ou antes: uma epopeia que não chega a sê-lo, sempre gorada pela intromissão do grotesco e do mesquinho. A visão que o autor tem da época em que se situa o seu livro, das personagens, dos cenários, dos actos e das intenções é, pode dizer-se, uma verdadeira «análise espectral»: a decomposição desmistificada, antiromântica e anticonvencional do passado. Como que uma unha raspando a camada de verniz que pretendeu tornar brilhante e vistoso um cerne de má qualidade e apodrecido pelo tempo. Um prolongamento da sua visão pessimista e desenganada da humanidade incidindo sobre um determinado momento histórico do espaço português.


Na raiz desta visão pessimista da época em causa subjaz o inato pender negativista de Raul Brandão para encarar a vida e as opções humanas em termos de drama ou de tragédia. Sobre o autor do Húmus talvez se possa dizer, transferindo-o do plano biográfico ao plano literário, o que ele próprio afirmou de Camilo: «Onde o grande escritor põe a mão é tragédia certa». Também, como Camilo, Raul Brandão «só fala de desgraças», quer dizer, só lhe interessa o lado trágico ou dramático da vida. Mas aqui, nesta obra, o drama e tragédia são como que neutralizados pela pequenez, pela inferioridade, pela mesquinhes do ambiente em que se processam e, consequentemente, o drama transforma-se por vezes em comédia e a tragédia em farsa. Da comédia dramática ou de farsa trágica se poderá, por isso, sem grande arrojo de nomenclatura, rotular esta obra de Raul Brandão.

Dinamização: Joaquim Moedas Duarte e Pedro Fiéis

LOCAL: Biblioteca Municipal de Torres Vedras
DURAÇÃO: 2 horas
PÚBLICO-ALVO: Adultos
INSCRIÇÕES/ CONTACTOS: Biblioteca Municipal de Torres Vedras
tel. 261310457
biblioteca@cm-tvedras.pt

16/12/2009

BOAS FESTAS


Gérard Dubois



Um Feliz Natal cheio de livros
e um ano 2010 repleto de boas leituras




A Guerra Peninsular na Literatura - 1º trimestre de 2010



No âmbito das comemorações do Bicentenário das Linhas de Torres, a temática para o primeiro trimestre de 2010 da comunidade de leitores da Biblioteca Municipal de Torres Vedras será A Guerra Peninsular na Literatura.

Nota importante: Durante este trimestre, as sessões realizar-se-ão às quartas-feiras.

PROGRAMA



27 de Janeiro de 2010 

Livro: El Rei Junot, de Raul Brandão. Imprensa Nacional Casa da Moeda

Dinamização: Joaquim Moedas Duarte e Pedro Fiéis




24 de Fevereiro de 2010

Livro: As aventuras de Sharpe: a fuga de Sharpe. A campanha do Buçaco. Portugal 1810, de Bernard Corwell. Planeta

Dinamização: Manuela Catarino




24 de Março de 2010

Livro: A sombra da águia, de Arturo Pérez-Reverte. Porto Editora

Dinamização: Venerando Aspra de Matos





HORA: 21h00 | Quarta-feira
LOCAL: Biblioteca Municipal de Torres Vedras
DURAÇÃO: 2 horas
PÚBLICO-ALVO: Adultos
INSCRIÇÕES/ CONTACTOS: Biblioteca Municipal de Torres Vedras | tel. 261 310 457 | biblioteca@cm-tvedras.pt


A imagem de Napoleão que ilustra este post foi retirada daqui

15/12/2009

Um sabor a Natal...





Na última sessão de Quintas com livros de 2009, tivemos como convidada Graça Silva, professora de Língua Portuguesa, que partilhou connosco O mistério de Natal de Jostein Gaarder.

Este livro conta a história de Joakim, um rapaz que, ao visitar uma livraria, descobre no meio dos livros um calendário do advento. Quando chega a casa, abre a janelinha correspondente ao primeiro dia do mês de Dezembro e cai lá de dentro um papelinho com um nome ... e é desta forma que Joakim que começa a aventura de Joakim...
É um livro recheado de muitos mistérios e foi-nos apresentado de uma forma muito "doce"... com um calendário do advento... recheado de chocolates!

Na segunda parte da sessão, fizemos uma homenagem a Rui Belo, comentando e enumerando alguns dos poemas de maior destaque de Homem de Palavra[s]...
Ruy Belo é também o autor do mês em destaque na Biblioteca.