07/10/2010

Prémio Nobel da Literatura para Mário Vargas Llosa


Mario Vargas Llosa foi galardoado hoje com o Prémio Nobel da Literatura de 2010.

O peruano, de 74 anos, foi distinguido "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos", justifica a Academia em comunciado divulgado poucos minutos após o anúncio do Nobel.

Detentor de dupla nacionalidade espanhola e peruana, Llosa nasceu em Arequipa, no sul do Peru, a 28 de Março de 1936. Depois de uma passagem pela Bolívia com a família e já no regresso ao seu país, Llosa estudou na Academia Militar Leôncio Prado de Lima, ingressando depois no curso de Letras em Lima. Seria através de uma bolsa para prosseguir os estudos que chega a Madrid, onde faz o doutoramento. Llosa acaba por trocar Madrid por Paris, onde além de professor de Espanhol é tradutor e jornalista da agência noticiosa France Press.

Em 1959 publica a sua primeira obra, um conjunto de novelas intitulado “Les caïds”, mas seria quatro anos depois com a edição de “A cidade e os cães” que o seu nome ficaria conhecido no mundo literário.Em 1966, a notoriedade de Llosa confirma-se com o lançamento de “A casa verde”. Seguem-se outras obras como “Conversa na catedral”, “Pantaleão e as visitadoras”, “A tia Júlia e o escrevedor”, “A guerra do fim do mundo”, entre outros.

Além dos ensaios, romances, novelas e teatro traduzidos em todo o mundo, o escritor é ainda conhecido pelas posições políticas que assumiu, nomeadamente na revolução cubana, tendo mesmo deixado Espanha e vivido em Havana. Mas em 1971 Llosa vira costas à revolução castrista e aos movimentos de extrema-esquerda, justificando-o com a oposição à existência de um “líder máximo”. Regressa de novo a Espanha, onde em 1993 consegue a dupla nacionalidade. O escritor, que havia sido distinguido em 1986 com o Prémio Príncipe das Astúrias, venceu no ano seguinte o Prémio Cervantes.


in Público

Venha procurá-lo na Biblioteca Municipal de Torres Vedras...

Com o outono, vem Saramago...

21 de Outubro (5ª feira) | 21h00

Biblioteca Municipal de Torres Vedras

Homenagem a José Saramago
 

Numa homenagem ao “Nobel português” desaparecido recentemente, vamos trazer à conversa algumas das suas obras mais marcantes, apresentadas por leitores de Saramago.
 

Orientação: Isabel Raminhos

LOCAL: Biblioteca Municipal de Torres Vedras

PÚBLICO-ALVO: Adultos

06/09/2010

A preparar o regresso depois das férias...



Depois de uma pausa para descansar, ir à praia, viajar, passear... com livros, estamos a preparar o regresso para mais um trimestre de leituras.

Em Outubro teremos uma sessão homenagem dedicada a José Saramago.

Lembram-se do livro de Saramago que mais gostaram? Então venham partilhar connosco a leitura desse livro no próximo dia 21 de Outubro.

A informação sobre a sessão de Outubro irá sendo actualizada...

Um bom regresso de férias... com livros!

Foto: vi.sualize.us - Dust

02/07/2010

Boas Férias


À semelhança do que aconteceu no ano passado, Quintas com Livros vai de férias de Julho a Setembro. 
Retomaremos em Outubro com uma sessão-tributo a José Saramago.

Deixamos em aberto a recepção de sugestões de propostas de leitura para os nossos encontros de Novembro e Dezembro.

Desejamos a todos os nossos leitores e amigos Boas Férias... com Livros!


imagem de Erin Ciulla

Nas estantes os livros ficam
(até se dispersarem ou desfazerem)
enquanto tudo
passa. O pó acumula-se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas.
Quando a cidade está suja
(obras, carros, poeiras)
o pó é mais negro e por vezes
espesso. Os livros ficam,
valem mais que tudo,
mas apesar do amor
(amor das coisas mudas
que sussurram)
e do cuidado doméstico
fica sempre, em baixo,
do lado oposto à lombada,
uma pequena marca negra
do pó nas páginas.
A marca faz parte dos livros.
Estão marcados. Nós também.

Pedro Mexia, in "Duplo Império"

22/06/2010

José Saramago (1922-2010)


Passado, presente, futuro

Eu fui. Mas o que fui já não me lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais,
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo arrebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

José Saramago - Os poemas possíveis: poesia. Lisboa: Caminho, 1985

imagem retirada daqui

15/06/2010

Adriana Lisboa - nota biográfica


Adriana Lisboa nasceu no Rio de Janeiro em 1970, onde cresceu.
Mais tarde, morou em Paris e Avignon (França) e desde 2006 que vive entre o Rio de Janeiro e Denver, nos Estados Unidos da América.
Estudou música e literatura, foi cantora, flautista e professora.
Doutorada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, hoje dedica-se, em exclusivo, à escrita e à tradução.
Em 2003, recebeu o Prémio José Saramago com Sinfonia em branco (2001).
Rakushisha é o seu último romance e obra finalista no Prémio Literário Correntes d'Escritas/ Casino da Póvoa.


Para saber mais sobre Adriana Lisboa, aceder aqui.

Imagem retirada daqui

07/06/2010

Desvendando Rakushisha...


Naquela madrugada, o lápis rombudo desenhava o tornozelo e o pequeno osso protuberante. Yukiko não se mexia. (…) O corpo da mulher adormecida era quase fosforescente. Fogo-fátuo. Uma veia pulsava em seu pescoço e suas costas ondulavam ritmicamente, muito devagar, com a respiração. A mulher adormecida sonhava que um homem desenhava seu tornozelo e o pequeno osso protuberante. No sonho, ela se moveu. Seus olhos e seus braços estavam abertos.


Adriana Lisboa - Rakushisha. Lisboa: Quetzal, 2009. 155 p. ISBN 978-972-564-768-4

27/05/2010

Enquanto esperamos a chegada do Verão... Rakushisha...

17 de Junho (5ª feira) | 21h00
Biblioteca Municipal de Torres Vedras


Foi na Rakushisha - cabana dos diospiros caídos -, nos arredores de Kyoto, que o poeta viajante Matsuo Bashô, imortalizado pelos seus haikai, se hospedou na sua última viagem e redigiu um dos seus diários. E foi no metro do Rio de Janeiro que Haruki e celina se conheceram. Ele folheava um livro em japonês, de cuja ilustração fora incumbido; ela era uma mulhar triste e etérea, "pedaço de céu recoberto pela fina epiderme humana", que se apaixonou dele com curiosidade pelo seu escrito exótico.
Unidos pelo acaso e pelo texto de Bashô, em breve partiriam para Kyoto, em busca de coisas indefinidas, fios de teia de aranha, numa viagem de descoberta do Japão moderno e de si próprios. As vozes dos dois protagonistas e os versos do poeta japonês entretecem-se num registo depurado, a que não falta nem sobra uma só palavra, que faz de Rakushisha um romance haikai.


Dinamização: Isabel Raminhos

LOCAL: Biblioteca Municipal de Torres Vedras
PÚBLICO-ALVO: Adultos

07/05/2010

Maio traz-nos Myra

20 Maio (5ª feira) | 21h00
Biblioteca Municipal de Torres Vedras


Excerto:

Myra atravessou os carris desocupados em direcção ao mar. Cresciam ervas e tojo nas juntas e as traves e ferros estavam negros das marés vivas sujas de crude. O céu estava baixo e muito escuro. Havia estrias roxas e verdes na distância branca e areciam, céu e mar, uma única onda a levantar-se para engolir a terra. Myra tirou os sapatos e as meias rotas e ficou parada a ver aquele assombro. Se corresse por ali adentro ninguém daria com ela nunca mais...


MARIA VELHO DA COSTA - Biografia





Licenciada em Filologia Germânica, foi professora no ensino secundário e membro da direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Tem o Curso de Grupo-Análise da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria. Foi membro da Direcção e Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, de 1973 a 1978. Foi leitora do Departamento de Português e Brasileiro do King's College, Universidade de Londres, entre 1980 e 1987. Tem sido incumbida pelo Estado português de funções de carácter cultural: foi Adjunta do Secretário de Estado da Cultura em 1979 e Adida Cultural em Cabo Verde de 1988 a 1991. Desempenhou ainda funções na Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e trabalha actualmente no Instituto Camões.

Consagrada, já em 1969, com o romance Maina Mendes, tornou-se mais conhecida depois da polémica em torno das Novas Cartas Portuguesas (1971), obra em que se manifesta uma aberta oposição aos valores femininos tradicionais. Esta publicação claramente anti-fascista e altamente provocatória para o regime, levou as suas três autoras a tribunal, tendo o 25 de Abril interrompido as sanções a que estavam sujeitas as denominadas 3 Marias: Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno.

Às teses de reivindicação feminina já enunciadas em “Novas Cartas Portuguesas", acrescenta-se, na sua obra, um inconformismo quanto aos cânones narrativos, inconformismo esse que se pode verificar também na sua obra de ensaio.

Para saber mais, aceder aqui


Dinamização: Isabel Raminhos


LOCAL: Biblioteca Municipal de Torres Vedras
PÚBLICO-ALVO: Adultos