15/02/2011

Nesta quinta, à volta de... Histórias de amor, de José Cardoso Pires


(capa da edição original)

   Mas a meio caminho caminho voltou por trás, direita ao mar. Paulo ficou de pé no areal, a vê-la correr: primeiro chapinhando na escuma rasa e depois contra as ondas, às arrancadas, saltando e sacudindo os braços, como se o corpo, toda ela, risse.
   Uma vaga mais forte alastrou-se pela praia, cobriu na areia seca e dura os sinais das aves marinhas, arrastou alforrecas abandonadas pela preia-mar.
   Eram muitas, tantas como Paulo não vira até então, espaçados e sem vida ao longo do areal. O vento áspero curtira-lhe os corpos moles. Passara sobre elas carregado de areia e salitre, varrendo a costa contra as dunas, sem deixar por ali vestígios de pegada ou restos de alga seca que lhe resistissem...

excerto de Uma simples flor no teu cabelo

Biografia


José Cardoso Pires

[S. João do Peso/Castelo Branco, 1925 - Lisboa, 1998]
 
Vem viver para Lisboa muito jovem. Após concluído o liceu, frequenta o curso de Matemáticas Superiores da Faculdade de Ciências, que abandona para se alistar na Marinha Mercante como praticante de piloto sem curso. Viaja então por toda a costa de África, até ser forçado ao abandono dessa actividade.

Desde então, a sua actividade profissional centrou-se em torno da literatura e do jornalismo cultural, tendo sido director literário de várias editoras, director da revista Almanaque (cuja redacção era constituída por Luís de Sttau Monteiro, Alexandre O'Neill, Vasco Pulido Valente, Augusto Abelaira e o escultor José Cutileiro e que contava com a direcção gráfica de Sebastião Rodrigues), director-adjunto do jornal Diário de Lisboa (1974), redactor da Gazeta Musical e de Todas as Artes e crítico literário da revista Afinidades.

A partir de 1974, dedicou-se exclusivamente à escrita literária, reservando as colaborações jornalísticas a algumas séries de crónicas, posteriormente reunidas em livro (A Cavalo no Diabo), e a projectos especiais, como a reportagem sobre o Vietname – «Apocalipse 2» – publicada nas revistas Triunfo, de Madrid, e Hoy, do México.

No final da década de 60, vai para Londres, onde exerce funções de leitor no departamento luso-brasileiro do King's College (1969-71). Aí regressará mais tarde, como «resident writer» a convite da Universidade de Londres, entre 1979 e 1980...

Continua aqui

in DGLB - página consultada a 15 de Fevereiro

imagem retirada daqui

2 comentários:

Méon, disse...

Espero poder estar aí, amanhã!
Beijinho!

BMTV disse...

Saudoso Méon,

Continuamos a sentir a falta... Ficamos à espera.

Até logo!